28 Julho 2020
A pandemia do novo coronavírus fez com que voltássemos a viver em tempos de crise económica, o que, segundo a PSP, levou a um aumento de 131% nas burlas com fraude bancária. Os cortes severos nos rendimentos, o aumento significativo da taxa de desemprego e do número de empresas a decretarem falência levaram a que fossem muitos aqueles que se aproveitam para passar por intermediários de crédito, com o objetivo de obter (o seu) dinheiro.
Outro fator que levou a que este número aumentasse durante a pandemia foi o facto de praticamente todos os serviços presenciais estarem fechados e o meio online ganhar força. Isto é, como não era possível a deslocação aos espaços físicos, os portugueses recorreram mais à contratação de serviços online, não conseguindo, muitas vezes, perceber que estavam a ser vítimas de uma fraude.
No entanto, e embora exista um maior número de novos casos, esta prática de esquemas fraudulentos já é antiga. E pergunta-se agora: “Mas se já sabemos da sua existência porque é que continuamos a cair?”. A verdade é que muitos destes esquemas estão tão bem desenvolvidos que, uma simples distração, pode levar-nos a acreditar que estamos a ser realmente contactados por uma entidade credível.
Yuichiro Chino
O segredo para não cair nestas práticas criminosas
O segredo passa por algo tão simples como: identificar se a entidade trata-se de uma instituição ou intermediário de crédito reconhecido pelo Banco de Portugal.
Como identificar um intermediário de crédito autorizado
Primeiro do que tudo, e antes de solicitar qualquer serviço, deve confirmar se a empresa exerce atividade de intermediário, através do Portal do Cliente Bancário. Os intermediários de crédito autorizados a exercer atividade em Portugal constam de duas listas publicadas pelo Banco de Portugal:
- A lista de entidades habilitadas a atuar como intermediários de crédito;
- A lista de instituições de crédito, sociedades financeiras, instituições de pagamento e instituições de moeda eletrónica que prestam serviços de intermediação de crédito ou de consultoria relativamente a contratos de crédito em que não atuem como mutuantes.
Andriy Onufriyenko
Existem também outros fatores que permitem identificar se está, ou não, perante uma entidade fraudulenta, e são eles:
- Ser cobrado o processo de avaliação
É muito recorrente que algumas das instituições ditas fraudulentas cobrem para fazer a avaliação da situação do cliente. Se isto acontecer desconfie, uma vez que, por lei, não é permitido cobrar qualquer tipo de valor na fase de avaliação.
- Não existir referência da empresa na internet
O mundo digital veio permitir que possa ter informações sobre as instituições numa questão de segundos. Por isso, pesquise informações sobre a idoneidade da empresa mediadora de crédito e procure testemunhos de clientes.
A ausência de um perfil nas redes sociais pode também ser um sinal de alarme, uma vez que, hoje em dia, é quase impossível que uma empresa não tenha nenhum perfil numa rede social. Isto porque, em termos de Marketing, uma empresa deve estar onde estão os clientes e deve tentar aproximar-se deles com uma imagem o mais humana e acessível possível.
Peter Dazeley
Deve também estar atento a burlas com créditos na internet.
- O tipo de comunicação não ser o adequado
É importante estar atento aos pequenos detalhes, como o tipo de escrita que é utilizada, se existem erros ortográficos ou gramaticais, e ainda incoerências. Desconfie de anúncios com a linguagem de «dinheiro fácil» «sem burocracias» etc., confirme se a entidade está devidamente autorizada.
- As promessas de dinheiro fácil
Embora muitas entidades concedam créditos com maior facilidade que outras, a verdade é que existem sempre vários procedimentos envolvidos para tal. Por isso, se receber uma mensagem ou um email com promessas de concessão de crédito automático ou num prazo muito curto, deve ter alguns cuidados.
Peter Dazeley
A publicitação de ofertas de concessão de crédito a quem necessita com urgência de “liquidez”, através da internet, designadamente nas redes sociais, ou através da publicitação de ofertas de concessão de crédito em anúncios publicados em jornais de grande tiragem nacional. Por isso, desconfie de anúncios com a linguagem: “dinheiro fácil” ou “sem burocracias”, por exemplo.
Em caso de dúvida, pode contactar diretamente ao Banco de Portugal. Até lá, e até confirmar a credibilidade da instituição, não forneça nenhum dado pessoal ou bancário.