22 Julho 2018
A mãe era hospedeira e levava-a para todo o mundo. Na rua multiplicavam-se os pedidos de agências de moda e a resposta era a mesma: “não”. Até que tudo mudou aos 17 anos. Sharam Diniz já fez tudo no mundo da moda, até desfiles da Victoria’s Secret. Mas a vida empresarial já está a dar frutos e a chegar a Lisboa.
Abandonou Nova Iorque para viver o sonho de ser atriz, em Lisboa. Sharam Diniz prepara-se para entrar na nova novela da SIC, ‘Alma e Coração’. Não se preocupe, agora que está na Europa, a manequim não vai parar de fazer Milão, Paris, Londres, agora que tudo está mais perto.
“Aqui há pastelarias em todas as esquinas, é difícil portar-me bem: bolas de berlim, pastéis de nata, tudo com chocolate e amendoim. Sou uma pessoa ansiosa e o açúcar ajuda”, revela em entrevista, acrescentando que a genética ajuda, mas que precisa de aliados.
Cuidados de beleza
Quais são? Limpeza de pele mensalmente. Lava rosto em água morna ou gelada (disse adeus à água quente), um bom ‘cleanser’ e desmaquilhante: nunca dorme maquilhada. Fez kickboxing durante quatro anos e odeia treinar sozinha. Fá-lo três a quatro vezes por semana – “desde que eu transpire…”- e divide-se entre momentos com ‘personal trainer’, aulas de zumba e hip hop.
O estranho encontro com a Chanel
Longe vão os tempos onde moda era tabu em casa. Das múltiplas campanhas de renome, Sharam (nunca leia o ‘h’, ele é mudo) fala da icónica Chanel. Viajou ao encontro do afamado Patrick Demarchelier. “Estava nervosa, um fotógrafo reconhecido. E ele não falou durante toda a sessão fotográfica, não me deu indicações, nem mostrou feedback”. Temeu pior – “vai ficar um horror, pensou”.
Pouco tempo depois, Sharam recebeu um telefonema do agente a confirmar-lhe campanha da Chanel de relógios. Fico extasiada, não sabia sequer que havia essa proposta em cima da mesa. O culpado? Demarchelier. Fã do profissionalismo da modelo, o francês recomendou a modelo.
O cabelo: o negócio que chegou a Hollywood
Quando entrou na agência de modelos disseram-he o pior. "Tens de esticar o cabelo, a “afro”, como aponta, dava-lhe um ar muito ‘comercial’". Sharam nunca teve medo de mudar de visual, sempre quis o cabelo cacheado e desde os cinco anos que usa químicos – afinal tinha uma “carapinha dura” – como se diz em Angola.
Mal sabia que o cabelo viria a ser o seu negócio. Queria instaurar uma marca de cosméticos, mas a competição nos Estados Unidos já se adivinhava feroz. “Tinha que criar algo em que me conseguisse identificar e que soubesse mesmo sobre o assunto”, adianta. Usa extensões, apenas porque sim. Explica que a maior parte das modelos africanas que usaram extensões ou químicos nos cabelos, acabam por ficar sem ele, na zona frontal.
Não são só as mulheres negras que usam extensões
Quando se mudou para Inglaterra para estudar Gestão e Produção de Evento via as colegas loiras a usarem perucas. Diz que na sociedade existia esse tabu, que ainda respira. Nos cabeleireiros as pessoas sentiam-se envergonhadas: usar era extensões ou perucas era sinónimo de falta de cabelo e feminilidade.
Agora isso está ultrapassado. “As Kardashians criam e ditam tendências e usam. Ciara, Beyoncé. Eu estava em Angola e perguntava como elas tinham aquele cabelo porque parecia tão real. Em África recebemos isso com algum atraso, não tínhamos perucas tão naturais”, recorda.
Sharam invejava o cabelo delas, sem saber que usavam afinal perucas. Criou a ‘Sharam Hair’, um site online e empresa sediada em Nova Iorque que faz encomendas de perucas e extensões naturais e de alta qualidade para todo o mundo. A modelo sabia que recomendando o produto nos bastidores da moda, os profissionais iriam usar e assim foi: Demi Lovato e Zendaya são alguns dos exemplos.
Na calha está uma loja física em Lisboa. Sharam diz-se “sensível aos desafios que as mulheres enfrentam ao navegar pelas escolhas e desafios envolvidos na compra de extensões de cabelo de qualidade”. O target? Mulheres confiantes que adoptem o seu estilo individual, sem receios, com todos os tipos de cabelo e de pele. Mulheres.