08 Outubro 2019
Os livros são para muitos o melhor refúgio, a melhor forma de partir para outro mundo, conhecer pessoas e lugares sem sair do lugar, e aprender muito, hoje em dia, sobre qualquer assunto. Costumo dizer que o mundo se poderia dividir em 2: os amantes de livros e os que vivem bem sem eles. Neste artigo, dirigimo-nos, no entanto a ambos, porque gostaríamos que a sua biblioteca, seja ela um museu precioso ou apenas um objecto de decoração, merece ganhar vida, bem como tudo o que nela existe, merece ser celebrado. Partilhamos assim os 7 passos para criar uma organização de biblioteca feliz, útil e sobretudo, que nunca seja esquecida.
1.Tire tudo para fora das prateleiras, das mesas de cabeceira, ou de outros sítios onde tenha livros espalhados
A única forma de ganharmos a real noção sobre o que realmente guardamos em nossas casas, é tirando tudo do seu lugar e agrupar os itens idênticos. Assim, aqui, defina na sua agenda, umas horas, uma tarde ou uma semana inteira (depende da dimensão da sua actual biblioteca) para agrupar os livros todos (os seus, não os da sua família) no chão, ou numa divisão de pouco uso.
2. Aproveite para limpar o espaço
Com o exercício anterior, se fizer parte da metade do mundo que ama livros, deve ter redescoberto paredes que já não via há algum tempo, tampos de mesa, e até cantos novos. Aproveite para passar um pano e arejar a casa. Os livros acumulam muito pó e cotão quando não são mexidos durante certo tempo. E perceba como se sente ao ver estes espaços vazios.
3. É proibido ler
Esta regra é de vital importância. Por dois motivos distintos: o primeiro é porque poderá demorar meses a terminar a tarefa a que se propôs (rever e optimizar a sua biblioteca) se começar a ler cada um deles. A segunda, é porque abri-los vai desfocá-lo do objectivo pessoal: descobrir e revalidar quais são os seus gostos e interesses actuais. Se quiser seguir à risca a metodologia criada pela guru japonesa, Marie Kondo, dê umas palmadinhas na capa de cada um para os acordar do longo tempo de sono em que se encontravam.
4. Crie pilhas por categoria
Vamos começar a partir “o elefante às fatias”. Pegando em cada um, comece a criar pilhas temáticas. As subcategorias mais comuns nos livros são: romances e ficção, biografias, livros de cozinha, livros técnicos, livros de fotografia e arte, livros religiosos, revistas, BD’s, Outros. Com esta divisão, ainda primária, vai começar a acontecer o primeiro fenómeno: vai descobrir ou apenas ganhar consciência, sobre qual a subcategoria que mais guardou, os temas que já lhe interessaram (ou interessam). É uma descoberta de autoconhecimento e que o vai surpreender.
5. Centre se na verdadeira importância de cada um
Não pretendo chocar ninguém, mas há uma verdade que dói (sempre que algum cliente meu é confrontado com esta realidade, fica cabisbaixo): livros que nunca leu, têm uma elevada probabilidade de continuarem a não ser lidos, por si, para sempre. Quer tenha sido você a comprá-lo, quer tenha sido uma oferta, arrisco dizer que o timing já terá passado. Livros são pura informação (mesmo os de romance e ficção que são informação sobre emoções, e a forma como reagimos a cada uma delas). Em determinado momento da sua vida, aquele autor ou tema interessou-lhe. Se não o leu aí, é provável que não o voltasse a comprar ou que não o voltassem a oferecer agora. A reorganização da biblioteca, mesmo para os amantes de livros, não deve causar nunca tristeza. Se se focar na imagem incrível que é ter uma estante, parede, ou mesmo sala inteira repleta apenas com livros que lhe trazem uma enorme alegria, vai querer ser rigoroso nesta selecção. Seja por isso verdadeiro consigo neste momento. Pergunte-se se depois de ler determinado livro, o voltaria a ler. Valide se o tema ainda lhe interessa ou mesmo se tivesse uma dúvida se era ali que a iria resolver.
6. Crie o seu “TOP” pessoal
Se tiver dificuldade ao início, sugiro que selecione 2 livros: um que guardará, sem hesitar, até ao fim da sua vida e outro que sabe que é para descartar. E a partir dessas 2 emoções, comece o trabalho com os outros. Nos que decidir guardar, vai facilmente perceber quais são os que estão no seu Top 10, 20, 50… não há número limite nem mágico para os Tops Pessoais. É mesmo uma emoção muito particular, esta a de sentir que aquele livro faz parte da nossa vida agora, mesmo que seja muito antigo, porque relembra-nos, com amor, quem somos. Mas há muitos que foram momentos bem passados e nada mais. Aprofunde esta diferença para perceber como é libertadora.
7. Descubra os projectos nacionais e internacionais para retoma de livros
E se a sua preocupação for “onde é que os irá entregar”, não se preocupe. Há inúmeros projectos, particulares e sociais que agradecem todas as ofertas que vierem em boas condições. Deve contar pelos dedos de uma só mão, os livros que já releu por prazer. Digo por prazer, porque quem é investigador, por exemplo, pode ter de reler vários ensaios e testes ao longo da sua vida profissional, mas o comum mortal, não. Por isso, centre-se no prazer que sentiu em ler determinada história e na felicidade que outra pessoa irá sentir. Pense na ajuda que um livro lhe deu quando foi mãe pela primeira vez e como será útil a quem está prestes a viver esse momento. Pode até imaginar como o próprio livro se sentirá mais feliz ao sair da prateleira, onde estava destinado a ficar para sempre, para fazer chorar ou sorrir alguém de emoção. Para além da bibliotecas de freguesia (muitos bairros estão a reactivar estes espaços), há projectos de ONG’s que visitam com muita regularidade países de língua portuguesa e onde ajudam a construir bibliotecas (lembro-me dum projecto para São Tomé levado a cabo pela www.meninosdomundo.org). Há muitos centros de estudo e explicações que aceitam livros e projectos como a Déjà Lu, em Cascais (com página no FB e instragram) que é uma livraria em segunda mão.