24 Maio 2019
Quando nos dedicamos a alguma tarefa mais difícil ou exigente, arrisco dizer que o nosso maior desejo é que não venhamos a sofrer do efeito bumerangue. Desejamos que todo o esforço e dedicação posto naquele objetivo, nos permita alcançar o sucesso, e não nos volte a fazer cair na mesma situação. Em resumo, que transforme em definitivo a nossa relação com o objeto do nosso empenho.
Costumo comparar a arrumação da casa a uma dieta, sobretudo porque são ambas decisões muito pessoais. Vejamos as semelhanças:
• Sentimos uma necessidade e identificamos a nossa verdadeira motivação:
- Em relação à alimentação, podemos querer perder ou ganhar peso, para nos sentirmos melhor connosco e com os outros, ou sentimos que chegou a hora de mudar de hábitos e queremos sentir os benefícios de uma alimentação vegetariana, ajudando também o meio ambiente, ou estamos a preparar-nos para uma prova fisicamente exigente e temos que alimentar o nosso corpo por forma a estar à altura do desafio.
No que toca à arrumação, podemos sentir que a nossa desarrumação tem impacto na nossa relação, ou que regressar a casa depois dum dia de trabalho é a última coisa que queremos fazer, tal é o caos que vamos encontrar e que nos impede de relaxar e repor energia, ou ainda que adoraríamos receber os amigos, mas sentimos vergonha em abrir-lhe as portas do nosso lar.
• Escolhemos o método e tomamos a decisão de avançar:
Vivemos numa era em que a informação disponível está em todo o lado: livros, aplicações, especialistas, opiniões de amigos.... Escolhemos a metodologia que mais nos agrada, o tempo e investimento que estamos dispostos a fazer e começamos. Empenhamo-nos e a diferença começa a fazer-se notar.
• Alcançamos o objetivo e sentimo-nos livres para voltar aos nossos hábitos:
Todo o esforço momentâneo tem resultados imediatos, em qualquer área da nossa vida. No entanto, se este esforço não tiver acontecido no momento certo, e com a motivação certa, iremos provavelmente confrontar-nos com um período de frustração pessoal difícil: a probabilidade de regressão face ao ponto inicial é de facto elevada. Mais quilos ou mais desarrumação. Desistimos até uma próxima vez.
O que acabei de descrever, num tom mais dramático e negativo, levanta naturalmente a questão: isto significa que nunca conseguimos mudar nada em definitivo? Claro que conseguimos! E temos todos, à nossa volta, exemplos bem reais de pessoas que conseguiram transformações incríveis, em várias áreas, e que nos inspiram todos os dias na busca do nosso próprio sucesso.
Começo por aqui: qualquer que seja o nosso objetivo, precisamos de compreender que é um objetivo pessoal.
Arrume sempre por categoria ou zona
Os outros não têm que estar no mesmo comprimento de onda, têm direito à sua opinião, e tão depressa nos irão encorajar como testar a nossa verdadeira motivação. E sim, este conceito aplica-se à arrumação e organização da nossa casa, mesmo para quem não vive sozinho.
Com o ponto anterior em mente, se existe uma regra fundamental para garantir a base do sucesso num qualquer processo de arrumação e não sofrer do efeito bumerangue é esta: arrume sempre por categoria e não por zona ou assoalhada. Ao sentir que chegou a hora de assumir as rédeas da sua casa, identifique quais as áreas sob sua responsabilidade e aplique sempre a regra das categorias.
Indico de seguida os 4 argumentos de peso para que a possa mesmo interiorizar:
1. É a única forma de saber mesmo o que possui de cada coisa: as típicas casas portuguesas não são grandes. É muito comum termos a roupa de inverno num determinado sítio durante o verão, os casacos fora do roupeiro, livros de cozinha na cozinha e os outros na sala e no quarto dos miúdos, as contas por pagar em cima duma mesa e os documentos importantes numa pasta dentro duma gaveta, fotografias em molduras e álbuns antigos na arrecadação. Se decidir que o seu objetivo é o de arrumar a sua roupa, então vá mesmo buscar toda a que tem nos vários sítios da casa (incluindo arrecadação, garagem ou anexos) e ataque tudo de uma só vez.
Saiba o que tem de cada coisa!
2. Vai identificar as suas reais necessidades e ganhar consciência dos seus gostos atuais: ao trazer todos os seus livros para a mesa da sala, vai dar-lhe a real noção da quantidade que possui. Ao vê-los todos juntos, vai poder questionar-se sobre os temas e assuntos que mais lhe dizem respeito à data. E quem sabe até redescobrir a sua antiga paixão por café? Vai provavelmente perceber que já leu todos os romances e que lhe faz falta ter um novo livro de cabeceira para adormecer mais tranquilo, sem écrãs digitais por perto.
3. Vai poupar de forma consciente e evitar comprar coisas duplicadas: quando decidir atacar a cosmética na casa de banho, vai juntar todas as amostras que trouxe das férias, ou que tirou das revistas. Estará assim em condições de perceber que nas suas próximas viagens de avião não precisa de comprar mais produtos de pequena dimensão ou que durante o próximo mês, em vez de comprar um novo gel duche, irá utilizar todas as amostras que guardou. O mesmo se passa com ganchos, elásticos ou escovas. Vai juntar todos os que estão espalhados e verá que não precisa de 4 escovas e que tem todos os ganchos e elásticos de que realmente precisa.
4. Cada coisa terá o seu lugar: não terá mais tesouras ou canetas perdidas pela casa. Se tiver material de escritório para arrumar, ao juntar todas as canetas, tesouras, colas e cadernos em branco, vai perceber o espaço real que precisa para os arrumar todos juntos e nunca mais irá esquecer onde se encontram.